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Por: Lionel C. Bethancourt

O que é Gestão de Conhecimento, afinal?
Em 1994, Davenport definia a Gestão de Conhecimento como: “o processo de coleta, distribuição e uso efetivo do conhecimento” (Knowledge management is the process of capturing, distributing, and effectively using knowledge). Que é usada ainda até hoje, mudando uma ou outra palavra, aqui e ali.

E a Gestão de Informação?
Ainda teremos o fato da diferenciação entre informação e conhecimento. Muitas áreas cinzas e confusões. Primeiramente; informação não é conhecimento!
Dados são um conjunto de valores ou ocorrências em estado bruto com o qual são obtidas informações.
Informação é (qualquer) dado, ou conjunto de dados, com significado para o usuário-consumidor.
Conhecimento é a capacidade de processar essa (qualquer) informação com outros dados e informações e dela fazer uso prático, gerando ao mesmo tempo novas informações e dados.
Só para complicar, a informação é uma (1) coisa e o conhecimento é seu fractal (1n).
A escolha é sua; Mandelbrot ou Julia, não importa.

Quando falamos em jovem, imediatamente nos vêm à cabeça, não somente a juventude cronológica mas também a inovação. A juventude como estado e a inovação como conceito abstrato. No imaginário, acreditamos que ambas vem sempre juntas.

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A gestão se dá a partir do momento em que, em qualquer sistema, se faça necessária a coleta, organização, compartilhamento e guarda de informação. Neste caso específico, para ter condições de melhores decisões estratégicas. Convenhamos que a gestão de informação se formaliza desde o momento em que os documentos são organizados pelos motivos que forem. Documentos organizados em bibliotecas, documentos organizados por temas, documentos guardados ou separados em coleções; atas, volumes científicos, recibos de contas, cartas de amor, etc.

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Logo, nos surpreendemos ao aliar juventude à gestão de informação, pois por definição, parece paradoxal que ela possa ser jovem, nova e, ao mesmo tempo, tão velha que tenha uma história documentada, tão grande, ou talvez mais, do que a história da própria humanidade.
Visto que, uma sem a outra, não existe. Mesmo apesar dessa nossa ignorância.
(Também não vemos o ar, no entanto, sabemos que ele está ai.) O documento em si já é um fruto de escolha (coleta + organização) e compartilhamento. As informações contidas no documento foram propositalmente escolhidas e separadas das outras.
E isto em qualquer documento é igual.

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A história da humanidade documentada em documentos e os documentos testemunhas da história da humanidade. O fato simples de criar documentos, exige antes, uma hierarquização e organização de dados e informações. Tornando-os acessíveis ao usuário-consumidor.
Isto é gestão de informação, não de conhecimento.
Logo, jovem, nos pareceria um contrassenso, mas vamos convir, a juventude nunca é a mesma. Enquanto a gestão de informação, não somente acompanha, como muitas vezes ela mesma é promotora da emergência dos movimentos ditos ‘jovens‘.

Vejamos como isso acontece quando, por exemplo, na Era Digital, os avanços são documentados ANTES de ser assimilados pelos seus usuários-consumidores. Todas as novidades que mudem o comportamento “jovem” são resultado de documentações anteriores.

E aqui… a surpresa. Quando, por fim, entendemos o que acontece à nossa frente.

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Referências
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Arjan Ten Cate, Knowledge management – A Theoretical Framework and Implementation at the “big four”, TCC da Faculteit der Economische Wetenschappen Erasmus Universiteit Rotterdam, 2016.
Davenport, T.H. et al., Building Successful Knowledge Management Projects at http://www.providersedge.com/docs/km_articles/building_successful_km_projects.pdf
Davenport, T.H., Some Principles of Knowledge Management at http://www.strategy-business.com/article/8776?gko=f91a7
Koenig, M.E.D., What is KM? Knowledge Management Explained at http://www.kmworld.com/Articles/Editorial/What-Is-…/What-is-KM-Knowledge-Management-Explained-82405.aspx
Milton, N., Knowledge Management FAQ at http://www.knoco.com/knowledge-management-FAQ.htm
Wilson, T.D. (2002) “The nonsense of ‘knowledge management‘” Information Research, 8(1), paper no. 144   [Available at http://InformationR.net/ir/8-1/paper144.html]
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2 thoughts on “A Jovem, e surpreendente, Gestão da Informação

  1. Talvez –(talvez!) a questão de uma definição ou mais definições possam ser muito importantes.
    Shakespeare: “Enquanto a erva cresce, o burro passa fome”.
    Em qualquer situação em que se faça necessário uma definição de um objeto, se “n” pessoas forem convidadas a apresentarem uma, muito provavelmente teremos “n” definições e a análise destas e sua síntese irá gerar algo próximo a um conceito, que será geral e certamente permitira uma descrição “aproximada” deste objeto.
    Um exemplo esta mostrado na foto da Biblioteca, contendo milhares de livros e publicações diversas. Se for pertencente a um “Literato” teremos em sua maioria obras de Literatura. Caso seja de um Cientista, teremos obras cientificas e assim por diante.
    O seu proprietário consegue localizar uma obra qualquer, ou pelo menos deveria. Terá alguma dificuldade em encontrar uma “informação especifica”. Em tese, um “amontoado de livros” possui muito pouca eficiência quanto à disponibilidade de superar alguma duvida.
    Classificar as obras por algum método, traz alguma facilidade, porem não soluciona a rapidez que se exige de uma “coleção de informações”.
    A aplicação da TI, adotando um método para “indexar” as informações contidas nesta Biblioteca pode ser uma boa alternativa, desde que, o método “decomponha” cada Fonte de Informação – (publicação), apropriando-se de cada tópico básico existente, classificando-os de conformidade com as Áreas de Conhecimento a que pertençam.
    Obviamente é um método extremamente trabalhoso, mas será feito uma única vez e permitira a qualquer interessado, consultar neste Sistema-(Sistema de Conhecimento Referenciado – SCR) um tópico “x” e ira gerar uma listagem de todas as obras que o contenha.
    Se o Conhecimento Humano levou mais de 10.000 anos para ser acumulado, vale a pena um “sacrifício a mais” dar ao mesmo uma “organização geral”.

    1. Caro Wagner;
      Em um post anterior tínhamos comentado que a mesma informação transmitida a um conjunto “n” de pessoas, provavelmente iria se transformar em “n+1” informações diferentes. E as descrições usadas, tentei que fossem o mais simples possível, há muito mais versões do que aquelas.
      A descrição da ilustração usada no post – a biblioteca- está correta. Um amontoado de informações, onde cada um encontra resposta (vaga) à sua pergunta. Encontrará ainda mais se for especializada em responder “esta” pergunta específica. Como acontece na biblioteca de uma faculdade de medicina, por exemplo. Nela, as informações contidas tendem para um tipo somente, veja que até a construção gramatical das frases muda e se adapta ao tema.
      A classificação, pelo método que for, lida mais com a acuidade e não tanto com rapidez. Mesmo que esta seja aumentada consideravelmente. E isto (acuidade) é de suma importância. A rapidez não valida uma resposta errada.
      Sim, o conhecimento humano levou mais de 10.000 anos e vale muito a pena o sacrifício. Produzimos informações que, diariamente, são somadas a este conhecimento milenar. Deixar soluções enterradas em arquivos mortos constitui um desperdício só comparável ao desperdício de energia, água ou comida mundial.
      Obrigado pelo seu interessante comentário.

      LCB

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