Por: Eliana Rezende Bethancourt

O tempo é sempre a grande preocupação de tudo e de todos.
Sempre temos a sensação de que nos escapa por entre os dedos, e por mais que aparentemente vivamos, menos nos sobra dele.

O tempo, logo se constata, não pode ser simplesmente medido por ponteiros e horas que insistem em correr através dos dias e anos em que nossa vida parece fatiada, retalhada, esmiuçada.
Como dar aos nossos dias tempo?
Como fazer com que, de tantos minutos infinitos, tenhamos de fato vida vivida e não tempo perdido, consumido, desperdiçado?

Fico aqui pensando que o melhor que podemos fazer, aos nossos corridos dias, é dar tempo e vida às nossas existências levando nossa alma para passear.

Mas como se passeia com a alma?
Como fazer isso se muitas vezes o corpo está aprisionado em congestionamentos, transportes, baias de trabalho, ou num sem número de compromissos?!

Dar descanso e passeio a alma pode significar destinar-nos tempo para coisas simples que dão a mente a possibilidade de expandir-se.
É este espaço que nos damos que pode favorecer ao alargamento do espirito e a expansão de nossa criatividade.

Por isso, encontre o tempo que muitas vezes é expropriado de nossas vontades. Encontre-o e o distribua por pequenas doses de prazer diário.
Descubra o que para você dá prazer aos sentidos.

Liberte-se de relógios, agendas, e celulares por alguns minutos ao dia. Seja seu maior e melhor companheiro. Caminhe simplesmente olhando o que há à sua volta. Perceba pessoas, animais, plantas, movimentos coletivos de pessoas, multidões ou meros indivíduos.

Quanto maior for o espaço social em que está, maiores serão os estímulos e possibilidades, trazendo com ele o desperdício pelo excesso. .
Concentre-se!
Não mergulhe na multidão para ser só mais um. Faça isso conscientemente e perceba-se nas suas diferenças.
Aprecie um bom café sentado em um cantinho interessante ou numa esplanada com uma vista que valha à pena. Aquiete-se! Coloque-se em descanso.
Simplesmente conecte-se com você.
Ouça o som do silêncio.
Alcance o som da sua alma.

Busque atividades simples que possam lhe dar prazer e alguma dose de endorfina: passeie ou brinque com seu cachorro, nade, corra, ande de bicicleta ou a pé….perceba os seres vivos em grande e pequena escala: olhe o céu, procure estrelas, constelações, planetas, encontre as imagens que as nuvens te mostram ao passar e passear suavemente sobre o céu.
Abaixe os olhos e veja as miniaturas que habitam o seu jardim: os trajetos de formigas, os pousos de borboletas, os pássaros nas árvores, as rãs em brejos…
Encontre a beleza de vidas aquáticas e as formas diversas que lhe apresentam de se mover, comunicar… seus coloridos e sons.

Procure uma esplanada, uma janela, uma vidraça…enquadre o mundo por ela e perca-se com um café ou uma taça de vinho.
A contemplação não exige praticamente nada. Apenas seu olhar e imaginação contemplativa.
As palavras são desnecessárias e a companhia chega a ser supérflua, pois nos tirará o sentido deste mergulho interno com nossa alma.

Alimente sua mente com leitura que lhe agrade, descubra uma nova receita, um drinque feito de sabores e cores diversas, um novo percurso (ao invés de sempre seguir pelos mesmos lugares e rotas).
Surpreenda-se levando sua mente para lugares em que nunca esteve. Disponibilize-se!
Fuja de algoritmos favoritando sempre as mesmas coisas.
Ouse ousar!

Cumprimente quem cruza seu caminho. Experimente um sorriso, vez por outra, para alguém que simplesmente lhe dirija o olhar. Descubra que se sorri também com os olhos.

Todos estes gestos não demandam tempo no sentido horário. Em geral, pouquíssimos minutos podem dar-lhe uma satisfação imensa e não terá subtraído nada do que sejam suas responsabilidades. Mas terá posto vida ao seu tempo.

Em pouco tempo, se dará conta que não precisa de dias específicos para se dar tempo e passear com sua alma.
Todos os dias serão dia de dar-se tempo e alargar-se.

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* Post escrito revisto e atualizado a partir de publicação original do meu Blog, o Pensados a Tinta

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One thought on “Leve sua alma para passear: dê-se tempo!

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